Aproveitamento e suas novas roupagens
O que cada sigla de eficiência significa e como utilizar cada uma no contexto apropriado
O aproveitamento de arremesso é, talvez, a estatística mais antiga do basquete. Contar a proporção de arremessos que acertamos no alvo em relação aos que tentamos pareceu ser um passo natural para o esporte, especialmente na época em que estava se consolidando ao lado de outros já tão conhecidos que já faziam a mesma coisa.
No entanto, o basquete sofreu muitas alterações em suas regras e configurações de lá pra cá e, com isso, o aproveitamento teve novas roupagens (e siglas) que merecem nossa atenção. Embora diferentes, todas querem responder o quão eficiente é uma equipe ou um atleta, mas de perspectivas diferentes.
Veremos sobre FG%, eFG% e TS%: três siglas para a mesma pergunta. Elas não são versões melhoradas uma das outras. Cada uma responde a uma pergunta ligeiramente diferente, e a troca de uma pela outra muda quem aparece na frente.
FG%: a original
O aproveitamento de quadra é a divisão mais simples possível: cestas convertidas sobre cestas tentadas. Nas últimas temporadas do NBB, por exemplo, o aproveitamento médio das equipes é de 43.7% nos arremessos de quadra.O problema dessa métrica é conhecido: o FG% trata todos os arremessos como se valessem o mesmo. Uma bandeja convertida e um arremesso de três convertido entram na conta com o mesmo peso, Mas um deles produz 50% mais pontos do que o outro: é onde o eFG% entra.
eFG%: pesando a linha de três
O aproveitamento efetivo (eFG%) corrige exatamente isso, creditando meia cesta adicional a cada bola de três.
No mesmo recorte de tempo, o eFG% do NBB foi de 50,8% – 7.1 pontos acima do FG%. Essa distância explica o peso do arremesso de três na eficiência de quadra "real" da equipe ou do jogador. É uma ótima métrica pra se bater o olho durante o jogo para captar a qualidade ofensiva da sua equipe ou do oponente em um determinado período ou corrida. No entanto, ainda é importante se manter atento que ela é composta por outras duas: 2P% e 3P%.
TS%: incluindo a linha de lance livre
O eFG% ainda ignora uma fonte inteira de pontos. Um pivô que sofre falta em toda tentativa perto do aro pode ter aproveitamento de quadra baixo e ainda assim ser extremamente produtivo. Tentativas de arremesso que sofrem faltas não contam como tentativas de quadra – viram lance-livre direto. O True Shooting % (TS%) corrige isso estimando quantas posses os lances-livres consomem:
O TS%, portanto, é uma medida de eficiência que trata de todos os arremessos do jogador. Ela é comumente utilizada justamente com o fim de avaliar o quão bom arremessador, de maneira geral, aquele jogador é – considerando os pontos que gera com arremessos de quadra e lances-livres. Naquele mesmo recorte do NBB, o TS% médio foi de 54.5%.
UM caso que mostra a diferença
Tomemos com exemplo este caso de dois jogadores da temporada passada (NBB 2025/2026):
| JOGADOR | FG% | EFG% | TS% | 2P% | 3P% | LL% | ll-r |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| (RCB) GEMADINHA | 41.1% | 50.4% | 57.2% | 46.0% | 36.5% | 87.7% | 36% |
| (UCO) VERÍSSIMO | 50.4% | 53.6% | 55.2% | 60.0% | 24.3% | 54.7% | 50% |
Veríssimo vence em aproveitamento de quadra (50.4% x 41.1%) por 9.3 pontos percentuais – uma margem relativamente grande. Essa diferença é amenizada quando comparamos o aproveitamento efetivo dos dois (53.6% x 50.4%). O bom aproveitamento do Gemadinha no perímetro é o responsável por isso. Por fim, Gemadinha vira o jogo no TS% (57.2% x 55.2% de Veríssimo). Veríssimo "perde" pontos de eficiência nessa métrica pois tem um alto volume relativo de lances-livres (~50% do seu volume vem de LLs) e baixa eficiência (54.7%).
Qual usar?
| pergunta | MÉTRICA | definição |
|---|---|---|
| QUANTOS ARREMESSOS ENTRARAM? | FG% | CONTAGEM LITERAL |
| QUEM ARREMESSA MELHOR, CONSIDERANDO OS 3PTs? | eFG% | PESA O VALOR DOS ARREMESSOS |
| QUEM PRODUZ MAIS PONTOS ARREMESSANDO? | TS% | INCLUI OS LANCE-LIVRES |
Para comparar arremessadores, o TS% costuma ser a escolha mais completa. O FG% continua útil quando a pergunta é literalmente sobre conversão – e continua insuficiente quando é usado como resumo de produção.
