É matematicamente melhor arremessar dessas regiões
Zonas de maior retorno sobre investimento
No jogo de basquetebol, muitos fatores atrapalham uma equipe a pontuar: a distância da cesta, a defesa, a pressão de tempo, o cansaço etc. Existem muitas estratégias para driblar esses empecilhos e cada técnico e atleta terá sua própria leitura. Apesar de muitas estratégias, leituras e variações, todas elas são pensadas pra terminar no melhor local de arremesso possível -–ou seja, aquele com a maior probabilidade de acerto.
O gráfico abaixo mostra o aproveitamento em função da distância do aro. Conclusão: é mais difícil acertar de longe. Depois de uma certa distância (~3.5m), o aproveitamento estabiliza, sobe um pouco perto dos 6.25m e sofre outra queda substancial apenas a partir dos ~8m.

Por mais que de longe o aproveitamento seja menor, o “retorno” é maior a partir da linha de três pontos. Podemos medir esse retorno avaliando quantos pontos foram produzidos por arremesso tentado em cada região:

Esse gráfico adiciona ao anterior o retorno em termos de pontos produzido por arremesso (PPA) tentado de cada distância, destacado em cinza.
Quando colocamos o valor da bola de 3 pontos na equação, vemos que parece haver regiões que historicamente oferecem um melhor retorno sobre tentativa. Essencialmente por duas razões: ou está bem perto da cesta, ou o arremesso vale 50% a mais.

Nesse exemplo, determinamos “zonas de maior retorno” quando os arremessos daquela região produzem acima de 0.9 pontos por tentativa. Ou seja, próximo ao aro e arremessos de 3 pontos.
Arremessos de média-distância sofrem uma grande desvantagem aqui - têm o mesmo aproveitamento que arremessos de 3 pontos, mas um retorno médio de apenas ~0.7 PPA.
E a defesa tem uma grande influencia nisso. Toda defesa se posiciona para proteger o aro e fica mais fácil contestar um arremesso de média-distância do que correr no closeout até a linha de três pontos. Eu nunca trabalhei com um técnico que não ficasse muito satisfeito quando sua equipe conseguia acionar uma bola muito próxima ao aro ou um arremesso livre de três pontos. Vamos conhecer abaixo uma estatística para avaliar o quão frequentemente uma equipe cria esses tais arremessos de “maior vantagem”.
Podemos analisar o Morey Rate de duas perspectivas: ofensiva (O-MR) e defensiva (D-MR). A ofensiva diz respeito ao que uma equipe faz e a defensiva ao que ela permite seus oponentes fazerem. Ainda, podemos tirar o saldo disso (MR +/-) e avaliar quanto de vantagem temos na seleção de arremessos em relação a nossos oponentes – quanto maior, melhor. Vamos olhar para os números do último NBB:

O Flamengo foi a equipe que mais tentou arremessos de zonas de alto retorno (85.0%). E ficou logo atrás de PIN e FRA (+6.1%) na variação ofensiva-defensiva, com um saldo de +5.9%. A equipe do Paulistano, por outro lado, foi a equipe que menos finalizou dessas regiões (71.2%), tendo, também, um dos saldos mais negativos (-6.3%). Curiosamente, na próxima temporada, o até então técnico do Paulistano irá comandar o Flamengo. Se isso refletirá ou não nestes números, descobriremos em alguns meses.
